1942 – O Ano do Massacre Corintiano contra o Palmeiras

Saudações corinthianas!

O Corinthians possui vários adjetivos que enaltecem sua grandeza. A começar por ser o time do povo, time de raça, time valente. Único a carregar a bandeira paulista em seu escudo no Estado Novo de Getúlio Vargas que queimava bandeiras de todos os Estados da federação.

Demostrou ser sem dúvida do Brasil, o clube mais brasileiro.

Anos mais tarde, teve papel preponderante na redemocratização do Brasil com a Democracia Corintiana.

Campeão dos Campeões! Campeão dos Centenários!

Time das Viradas! Todo Poderoso!

Mas, na hoje centenária história do Timão, o Corinthians também possuía outro adjetivo.

VINGADOR!

Na última rodada do Campeonato Paulista de 1942, que era disputada por pontos corridos, o Corinthians (em “vingança” ao que o Palestra Itália havia feito no ano anterior, impedindo na última rodada o título invicto do Timão), novamente venceu o rival pela última rodada do campeonato paulista, assim como, último clássico do ano.

Em Dérbis paulistas na temporada de 1942, o Corinthians foi implacável contra seu arquirrival.

Foram 16 gols em 5 jogos, com média de 3,2 gols por partida.

Fonte: Coluna de Celso Unzelte no site Meu Timão (Vantagem sobre o Palmeiras nos anos 2000)

Nenhuma outra temporada em que houveram Dérbis chegou perto desta média de gols e nenhum outro rival em qualquer parte do mundo sofreu tantos gols em tão pouco tempo.

Se analisarmos toda a história do dérbi paulista, talvez até podemos ir mais longe, e analisarmos a história das maiores rivalidades mundiais (El Clasico, Derby della Madonnina, Superclássico do Futebol Argentino, etc.), nunca foi registrado que um grande rival tenha sofrido 16 gols em uma mesma temporada.

No Pacaembu, além das goleadas por 4×1, que haviam rendido conquistas ao alvinegro do Parque São Jorge (Torneio Quinela de Ouro e Taça Manoel Domingos Corrêa) contra o Palestra de São Paulo, o Corinthians goleou este mesmo Palestra, na decisão de mais um troféu. Desta vez, pela primeira Taça Cidade de São Paulo, na qual, o Corinthians depois de golear o arquirrival por 4×2 garantiu mais uma taça para sua sala de troféus.

No encerramento da temporada, no último dérbi do ano em 4 de outubro de 1942, ocorreu o primeiro clássico entre o Timão e o atual Palmeiras (Ex-Palestra Itália, que por motivos políticos, em função da II Guerra Mundial, havia perdido o “Itália” de seu nome, tornando-se Palestra de São Paulo). O Palmeiras que chegou nessa última partida já com o título do estadual garantido, sendo esta sua primeira conquista usando seu novo nome, defendia a sua invencibilidade diante do Corinthians. Só que o Timão de Hércules e Milani, e com uma ajuda do zagueiro palmeirense Begliomini (que marcou um gol contra) acabou carimbando a faixa do campeão. Final 3 x 1 para o Timão. Este resultado impediu que o arquirrival alviverde do Corinthians fosse campeão invicto, no que foi o primeiro dérbi paulista na história do rival sendo chamado de Palmeiras.

1942. Primeiro dérbi paulista no Pacaembu. (Fonte: Livro “A História do Campeonato Paulista”, de Valmir Storti)

Sem dúvidas a temporada de 1942 ficou marcada na história dos dérbis paulistas, pois nesta, o Corinthians além de aplicar diversas goleadas em seu maior rival, comemorou títulos.

A história é implacável.

Não importando o nome usado o Corinthians massacrou seu rival alviverde no ano de 1942. Em dérbis, encerrou a história do Palestra com goleada e comemoração de título, assim como venceu e carimbou a faixa de campeão do Palmeiras no primeiro dérbi paulista da história com o rival usando seu novo nome. Isso em uma época definida como gloriosa na história do Palestra/Palmeiras, a “Arrancada Heroica”, tão gloriosa que hoje dá nome a uma passarela no bairro da Água Branca, ali pertinho do estádio alviverde.

Este capítulo vitorioso da história do Palmeiras, campeão paulista de 1942, também ficou marcado pela freguesia palmeirense frente ao Corinthians que neste ano tão simbólico da história alviverde (“Arrancada Heroica”), o alvinegro do Parque São Jorge manteve-se invicto frente ao rival do Parque Antarctica, pois o Palmeiras não venceu nenhum dérbi paulista perdendo cinco partidas e sendo goleado em três (duas por 4×1 e uma por 4×2).

O Corinthians encerrou a existência do Palestra goleando o rival por 4×2 e no primeiro dérbi com o novo nome, nova vitória corintiana, agora por 3×1, que com este resultado, o Corinthians impediu que o arquirrival alviverde fosse campeão invicto, no que foi o primeiro dérbi paulista na história do rival sendo chamado de Palmeiras.

Interessante salientar que o primeiro gol da história do Palmeiras foi de um corintiano, assim como, o primeiro gol do Palestra Itália também havia sido.

Em 1915 o “traditore” Bianco Spartaco Gambini fez o primeiro gol do Palestra Itália depois de no ano anterior em 1914 ter sido o primeiro jogador e capitão a levantar uma taça de Campeão Paulista pelo Corinthians. No primeiro jogo da história do Palestra Itália, contra o Savoia, em 1915, cinco dos jogadores foram emprestados pelo Corinthians que neste ano enfrentou a maior dificuldade em sua gloriosa trajetória no futebol paulista.

Como havia sido campeão invicto em 1914 o Corinthians abandonou a Liga Paulista de Futebol (LPF) e tentou ingressar na APEA (Associação Paulista de Esportes Atléticos), a mais badalada e elitizada na época. Entretanto, como tinha uma equipe formada por operários, realmente um time do povo, sua inscrição foi recusada, assim como o retorno à Liga Paulista. Resultado: o clube ficou um ano inteiro sem disputar uma competição.

Como não disputaria nenhum campeonato, o assédio aos jogadores corintianos foi grande. Seus craques foram emprestados.

Contudo, na tentativa de manter a existência do clube, a diretoria ainda manteve o Corinthians disputando amistosos na várzea paulista durante o ano.

Como prova de força e também da injustiça que havia sofrido, em um desses amistosos o Timão venceu o A. A. Palmeiras, campeão da APEA, liga que recusara a inclusão do Alvinegro. Vales ressaltar, que a hoje extinta Associação Atlética das Palmeiras, (que também vestia as cores em preto e branco), devido fortes laços de amizade com o Palestra, foi homenageado através de seu nome quando os palestrinos decidiram mudar de nome tornando-se S.E. Palmeiras.

Memo sofrendo duro boicote com intiuito de acabar com o “clube de carroceiros” (este teria sido o primeiro xingo), durante as partidas que disputou, o Time do Povo não sofreu nenhuma derrota sequer, ficando invicto por mais um ano.

Lealdade! Mesmo emprestados a outros clubes, jogadores como Neco participaram dos amistosos do time, e não à toa, é tido como o primeiro ídolo do Corinthians e no Parque São Jorge um busto de bronze o homenageia.

Neste ano de 1942, em que o Corinthians não perdeu nenhum dérbi, mais precisamente no dia 20 de setembro, durante um “Choque Rei”, nada mais nada menos do que Cláudio Christovam de Pinho fez o primeiro gol do novo Palmeiras ajudando ao time de “italianinhos” a faturar o Campeonato Paulista.

Além de ter feito o primeiro gol da história da S.E. Palmeiras, Cláudio Christovam de Pinho que chegou ao Corinthians em março de 1945 fez o seu primeiro gol vestindo a camisa alvinegra, justamente em um dérbi paulista em 18 de março de 1945 pela Taça São Paulo, no estádio do Pacaembu no empate em 1 a 1 contra o Palmeiras. Insatisfeito com a reserva no clube do Pq. Antarctica, “O Gerente”, apelido do ex-jogador revelado pelo Santos devida característica por ser um “técnico” dentro de campo, havia retornado ao time da baixada santista por lá permanecendo até 1944.

No ano seguinte o Corinthians vai buscá-lo, para que ele então, se tornasse um dos maiores ídolos da história do Timão.

Cláudio construiu grande idolatria no Corinthians, possui seu busto em bronze nas dependências da sede social do clube e é, mesmo na história de mais de 107 anos do Corinthians, o maior artilheiro da história do alvinegro paulista com 305 gols vestindo o manto alvinegro por mais de 10 anos (1945 a 1957) e foi o principal líder do esquadrão corintiano nos anos 50.

Como se não bastasse tudo isso, ele também foi o maior artilheiro do dérbi paulista juntamente com Luizinho “O Pequeno Polegar”, com 21 gols.  Luizinho se destaca por possuir 21 gols em 44 partidas com média de 0.47 gols, enquanto Cláudio possui os mesmos 21 gols em 51 jogos deixando-o com média ligeiramente menor de 0.41 gols.

Sem dúvidas Corinthians e Palmeiras estão ligados desde antes de a rivalidade existir e o que começou entre Palestra Itália e Corinthians seguiu forte quando o arquirrival virou Palmeiras, e na construção da história do dérbi paulista, em 1942 o Corinthians que sempre agregava todas as colônias, numa espécie de vingança pela dissidência dos italianos, massacrou seu rival.

E desde 1942 considerando os principais e mais tradicionais torneios o Corinthians SEMPRE se manteve na frente do Palmeiras no retrospecto geral.

Freguesia Centenária!

Desde o primeiro Corinthians x Palmeiras em 4 de outubro de 1942 foram disputados 283 dérbis paulistas.

São 100 vitórias do Corinthians, 93 vitórias do Palmeiras e 90 empates.

A centésima vitória corintiana contra o Palmeiras (Ex-Palestra Itália), ocorreu no primeiro turno do Campeonato Brasileiro no dia 12/07/2017 dentro da arena do arquirrival.

A vitória corintiana acabou com a invencibilidade do Palmeiras (que não era derrotado em sua casa desde julho de 2016 perdendo a invencibilidade de 28 jogos dentro de seu estádio) e passou à frente em vitórias no estádio rival consolidando certa supremacia.

Este foi o segundo clássico disputado no ano de celebração do centenário do Derby Paulista. Nas duas vezes em que Corinthians e Palmeiras se enfrentaram no centenário do Derby, o time alvinegro levou a melhor nas duas ocasiões.

O Corinthians bateu o rival duas vezes desde a reforma do estádio Parque Antárctica, a primeira delas foi no dia 08/02/2015, pelo primeiro Derby Paulista da história do novo e remodelado estádio alviverde.

Esta primeira vitória do Corinthians no Derby inaugural dentro do estádio palmeirense manteve um tabu de 8 anos sem derrotas para o Palmeiras em Campeonatos Paulistas que durou de 02/03/2008 à 03/04/2016 quando no Pacaembu o Palmeiras finalmente encerrou um tabu de 21 anos sem vencer o Corinthians dentro do estádio municipal encerrando também o tabu de 4 anos sem conseguir vencer o Timão por qualquer torneio.

Em quatro jogos realizados, o Allianz Parque virou Parque de Diversões do Corinthians, pois desde a inauguração em 2014, o Timão possui mais vitórias: são duas vitórias, contra um empate e uma derrota para o Palmeiras.

Na tabela de classificação do Brasileirão, o Corinthians abriu 16 pontos do Palmeiras e esta vantagem fez o time alviverde se distanciar ainda mais de seu bicampeonato.

Para o Corinthians, esta segunda vitória em dérbis paulistas, no ano do centenário do clássico dentro da casa do rival, firmou ainda mais o Timão como favorito ao título e consequentemente ao seu heptacampeonato brasileiro.

VAI CORINTHIANS!!!

Escrito por

  • Fabio Gomes Rocha

    Felipe, sou um Corinthiano que tem verdadeira obsessão pela segunda metade dos anos 30 e pelas décadas de 40 e 50. Acho que nesses períodos o futebol foi o futebol de verdade, onde a paixão da torcida alavancava a raça e a fibra dos jogadores. E nestes períodos (mesmo com a estiagem de 1941 a 1951) pelo que consegui ler o Corinthians jogou magistrais partidas, principalmente nos Clássicos. Seus textos saciam muito minha necessidade pelo conhecimento acerca destes períodos gloriosos e dourados. Muito obrigado e meus Parabéns pela escrita fantástica. Grande Abraço.

    • Felipe Prevedello

      Muito obrigado pelo incentivo Fábio.
      Fico contente quando aparece alguém que gosta das mesmas coisas que eu.

      VAI CORINTHIANS!