Corinthians – Maior campeão da história do Pacaembu [Parte 3]

Saudações corinthianas!

Continuando a série de posts que detalham todos os 34 títulos do Corinthians no Pacaembu, agora discriminarei as 15 conquistas obtidas na década de 50 que foi marcante para a história do Sport Club Corinthians Paulista, pois o Esquadrão Imortal de Gylmar (Cabeção / Bino); Homero (Murilo) e Olavo (Belfare / Alan); Idário, Goiano (Touguinha) e Roberto Belangero (Julião); Cláudio, Luizinho, Baltazar, Rafael (Nelsinho / Carbone) e Simão (Mário) foi responsável por consolidar definitivamente o Corinthians no cenário estadual e nacional alçando a grandeza do Corinthians inclusive à níveis internacionais.

1950 – Torneio Rio-São Paulo

Este torneio interestadual iniciou, a partir de 1950, sua trajetória de tradicionalismo no cenário futebolístico, embora tivesse existido outras três edições (1933/1934 e 1940).

Na primeira edição idealizada em 1933, o título foi conquistado pelo Palestra Itália e as partidas disputadas dentro do Campeonato Paulista e do Campeonato Carioca, entre as equipes locais, valeram para dois torneios os Estaduais e o Rio-São Paulo.

A edição do ano seguinte em 1934 foi interrompida em sua fase inicial e não houve campeão. Inicialmente idealizada em duas etapas, primeiramente disputando-se um torneio classificatório e posteriormente programado para ser disputado no formato eliminatório (“mata-mata”) pelos três primeiros colocados de cada grupo classificatório.

Logo no início da Fase Classificatória, porém, Palestra Itália e Vasco da Gama alegaram que, como campeões estaduais de 1934, deveriam estar automaticamente classificados para a Fase Final e, consequentemente, dispensados de disputar a Fase Classificatória. Já com a disputa em andamento, a liga do Rio de Janeiro cedeu e decidiu que o Vasco seria um dos representantes cariocas na Fase Final. A liga de São Paulo, por outro lado, manteve a obrigatoriedade de o Palestra Itália disputar a Fase Classificatória.

Vale ressaltar que este, é justamente o período de transição do amadorismo para o profissionalismo do futebol brasileiro e embora a entidade nacional oficialmente reconhecida pela FIFA fosse a CBD (Confederação Brasileira de Desportos, amadora), os clubes mais poderosos dos dois estados eram filiados a ligas vinculadas à FBF (Federação Brasileira de Futebol, profissional). Por isso, esses clubes não podiam realizar excursões ou disputar torneios amistosos, o que limitava muito as suas atividades. Com a CBD começando a consolidar o profissionalismo do futebol que ainda coexistia com o amadorismo, e após desavenças locais entre Fluminense, Flamengo e Vasco, este último acabou abandonando a LCF (Liga Carioca de Foot-Ball, ligada à FBF) e se juntou à FMD (Federação Metropolitana de Desportos, ligada à CBD), sendo seguido por Palestra Itália e Corinthians, que se desligaram da APEA (Associação Paulista de Esportes Athléticos, ligada à FBF) e fundaram a Liga Bandeirante de Futebol, que depois passou a se chamar Liga Paulista de Futebol, vinculada à CBD. Em consequência desses abandonos, os torneios classificatórios foram interrompidos e a Fase Final jamais chegou a ser disputada.

Somente anos mais tarde, em 16 de junho de 1940, o Torneio Rio-São Paulo voltou a ser disputado, porém também não houve um campeão.

Interrompido que ficou no período de 1935-1939 o Torneio Rio-São Paulo em sua edição de 1940 previa a realização de dois turnos, porém assim como ocorrido 6 anos antes, o torneio foi interrompido sob a alegação dos times cariocas estarem descontentes com relação às despesas administrativas no Estádio do Pacaembu, que consumiam grande parte da renda bruta. Os clubes paulistas que também estavam descontentes com a baixa renda líquida dos jogos que sequer cobriam os altos gastos para os deslocamentos até o Rio de Janeiro, resolveram abandonar a competição alegando também que a proximidade do Campeonato Brasileiro de Seleções, importante na época, fatalmente atrapalharia a preparação das equipes.

Quando os paulistas abandonaram o torneio, já haviam sido disputadas oito rodadas. As entidades resolveram respeitar a colocação do certame considerando como definitivos os resultados, nos quais, Fluminense e o Flamengo eram os líderes (o rubro-negro somava 13 pontos, com seis vitórias, um empate e uma derrota. O tricolor carioca estava invicto e ocupava o mesmo posto, com cinco triunfos e três igualdades). Por não se importarem com a realização de uma partida de desempate, a princípio, ambos foram declarados campeões em fato amplamente divulgado pela imprensa da época. No entanto, a decisão não chegou a ser homologada pela CBD (antiga CBF) e não figura na lista de conquistas de ambos.

Após novo hiato entre os anos de 1941 à 1949, finalmente o Torneio-Rio São Paulo volta a ser disputado.Oficialmente chamado de Torneio Roberto Gomes Pedrosa, sua proposta era medir forças entre as principais equipes de São Paulo e do Rio de Janeiro, na época os grandes centros futebolísticos do país.

Assim, a edição de 1950 foi o primeiro Torneio Rio-São Paulo em sua era regular, com o campeonato sendo disputado anualmente, o que aconteceu até 1966 (a partir de 1967, a disputa também incluiu clubes de outros estados e o Roberto Gomes Pedrosa passou a ser chamado de Robertão).

Anos mais tarde, depois de 43 anos, em 22 de dezembro de 2010 a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), entidade máxima do futebol no Brasil, em uma clara tentativa de angariar alianças políticas num contexto de desvio de foco, pois o até então presidente da CBF, Ricardo Teixeira passou a sofrer fortes denúncias de corrupção envolvendo a escolha de sedes para a Copa do Mundo resolveu REESCREVER A HISTÓRIA homologando a unificação do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Robertão) como sendo Campeonato Brasileiro em uma evidente decisão de gabinete, pois antes, nenhuma convocação de uma assembleia geral para discutir e votar essa proposta foi realizada, assim como, não foram consultados a respeito as federações estaduais e principalmente os clubes, razão de ser do futebol.

A absurda alteração da história perpetrada pela CBF em 2010, provocou a polêmica modificação do prefixo matemático de títulos nacionais dos clubes, fazendo com que clubes como a S.E. Palmeiras e o Santos F.C. se tornassem os maiores “beneficiados” com a equiparação, pois até então o alviverde se autodenominava tetracampeão brasileiro e o alvinegro praiano denominava-se bicampeão brasileiro, demonstrando que a equiparação promovida pela CBF serviu apenas para objetivar o benefício de um lado específico, sem considerar que todo título tem seu valor dentro de sua época.

Vale ressaltar, que utilizando-se a mesma lógica de equiparar-se títulos do passado com os do presente, o Corinthians, podia muito bem reivindicar como valendo pelo menos mais 4 títulos brasileiros advindos de suas conquistas do Rio-São Paulo, pois se o pai do Campeonato Brasileiro de 1971 é o Robertão, o avô é o Torneio Rio-São Paulo, ressaltando-se que o Robertão nada mais foi que a ampliação do interestadual mais importante e disputado do país. Tanto é que em 1967 quem organizou o Robertão foi a FPF.

Apenas oito clubes disputaram o campeonato em 1950, sendo quatro da capital paulista e quatro da carioca. O sistema era de pontos corridos, em turno único, e ao final de sete rodadas a equipe com mais pontos seria declarada campeã. No dia 15 de fevereiro, no Pacaembu, o ponta-esquerda corintiano Noronha abriu o placar aos dois minutos de jogo; o Botafogo até empatou no finalzinho da partida, mas não fez diferença. Com o empate, o Corinthians chegou à 11 pontos e comemorou sua primeira Taça do Torneio Rio-São Paulo.Este foi o primeiro título de Luis Trochillo, o Luizinho, o ídolo “Pequeno Polegar”.

1951 – Campeonato Paulista

Disposto a findar o jejum de 10 anos sem conquistar o Campeonato Paulista, o Corinthians que havia sido vice-campeão em cinco campeonatos anteriores (1942, 1943, 1945, 1946 e 1947), montou um time competitivo, somando boas contratações com revelações das divisões de base do próprio Corinthians. O sucesso foi tão grande que a principal arma corintiana foi o ataque. Sua linha de frente, composta por Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário, ficou conhecida como “O Ataque dos 103 Gols. O regulamento estabelecia que campeonato seria disputado em pontos corridos, em turno e returno. No jogo do título, o alvinegro do Parque São Jorge enfrentou o Guarani precisando apenas de uma vitória para ficar com o título. E foi isso mesmo que aconteceu. Implacável, o Corinthians goleou os “bugrinos” por 4 a 0 e faturou, com duas rodadas de antecedência, seu 13º título estadual superando o rival Palmeiras e tornando-se o maior campeão do Campeonato Paulista.

Para encerrar a campanha com chave de ouro, o Corinthians ainda venceu o Ypiranga, por 3 a 0 em 19/01/1952, e o rival Palmeiras, por 3 a 1 em 27/01/1952.

1952 – Taça Cidade de São Paulo

A última edição da Taça Cidade de São Paulo foi realizada no ano de 1952. Conforme já havia sido estabelecido anteriormente, a equipe que vencesse a Taça Cidade de São Paulo cinco vezes alternadas ficaria com o troféu de forma definitiva.O torneio manteve sua identidade para determinar um campeão entre os clubes da capital (mais precisamente entre o chamado Trio de Ferro), a Portuguesa de Desportos e o Santos.Neste ano participaram da disputa, como sempre, as três equipes mais bem posicionadas no Campeonato Paulista do ano anterior: Corinthians, campeão estadual em 1951; Palmeiras, vice; e a Portuguesa, terceira colocada. Na estreia, em 17 de agosto, o Corinthians venceu a Portuguesa por 4×0. Na rodada seguinte em 21 de agosto, a Portuguesa venceu o Palmeiras por 5×3.

No confronto decisivo, em 27 de agosto, o Corinthians jogou contra o Palmeiras precisando apenas do empate. Só que o “esquadrão imortal” do Corinthians goleou por 5×1 o rival alviverde garantindo novamente outro torneio em um dérbi paulista, além claro, de permitir que a Taça ficasse definitivamente na sala de troféus do alvinegro do Parque São Jorge, haja vista, que esta foi a 5ª Taça Cidade de São Paulo conquistada pelo Corinthians.

Carbone foi o artilheiro, ao marcar três vezes, Cláudio marcou um gol, mas quem desequilibrou o jogo foi mesmo Luizinho. Conta-se que foi nesta partida que ele teria, até, sentado na bola, diante do grande centromédio argentino Luiz Villa, que jogava no Palmeiras.

1953 – Torneio das Missões (Taça Tibiriçá)

 A Taça Tibiriçá, também conhecida como Torneio das Missões, ou Pró Missões foi um torneio triangular disputado pelo “Trio de Ferro” (Corinthians, Palmeiras e São Paulo) e foi organizado em benefício dos flagelados da seca no Nordeste. O regulamento do torneio previa que todos se enfrentariam em turno único, no Pacaembu, e que a equipe com mais pontos somados seria declarada a campeã.

No dérbi paulista de 08/03/1953 o Corinthians estreou no torneio vencendo seu maior rival por 1×0. Na rodada seguinte em 12 de março, o São Paulo, poderia em caso de vitória eliminar o Corinthians e definir o título na última rodada em um Choque-Rei, porém o time corintiano não deu chances ao tricolor paulista. Com gols de Nilo, contra, aos 8 minutos do primeiro tempo, Nardo aos 35min e Carbone aos 2 minutos do segundo tempo o Corinthians administrou a vantagem de 3 à 0 até os 12 minutos do segundo tempo quando o rival tentou uma reação chegando a diminuir a vantagem corintiana aos 39 minutos do final da partida com o gol de Gomes que substituiu Lanzoninho, porém a reação foi tardia e com a vitória corintiana a terceira rodada serviu apenas para cumprir tabela, pois o Corinthians levou para o Parque São Jorge mais um troféu dentre os inúmeros conquistados na primeira metade da década de 1950.

1953 – Taça Prefeitura Municipal de São Paulo

Após a conquista definitiva da Taça Cidade de São Paulo pelo Corinthians em 1952, foi criado um novo torneio nos mesmos moldes para substituir a já extinta competição. Surgiu assim a Taça Prefeitura Municipal de São Paulo, que seria disputada apenas uma vez, em 1953.O sistema de disputa era exatamente igual ao da Taça Cidade de São Paulo: os três primeiros colocados do Campeonato Paulista da temporada anterior se enfrentariam em um triangular realizado no Pacaembu em turno único e o time que somasse mais pontos sagrar-se-ia campeão. Participaram desta competição o Corinthians, vencedor do estadual de 1952, o São Paulo vice-campeão e Portuguesa, terceira colocada.

O Corinthians venceu a Portuguesa por 1 a 0, no jogo de estreia em 18 de outubro e no Majestoso de 25 de outubro venceu o rival tricolor de virada por 3×1 tornando-se o primeiro e único campeão da Taça Prefeitura Municipal de São Paulo, pois A partir do ano seguinte, a competição daria espaço à Taça Charles Miller, cujo formato seria o mesmo, salvo exceções em algumas edições.

1954 – Torneio Rio-São Paulo

 Habituado a conquistar títulos na célebre década de 50, o Corinthians que “deitava em berço esplendido” no cenário futebolístico, em função de suas conquistas internacionais (Pequena Taça do Mundo, 1953 e Torneio Internacional Charles Miller, 1955), interestaduais e por assim dizer nacionais em virtude da época (Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Rio-SP), 1950, 1953, 1954), estaduais (Campeonato Paulista 1951, 1952, 1954) e também honoríficos, a equipe do Corinthians teve a oportunidade de defender como atual campeão o seu título do Torneio Rio-São Paulo.

O regulamento era o mesmo do ano anterior: 10 equipes, sendo cinco paulistas e cinco cariocas, se enfrentariam no formato de pontos corridos em turno único, com o campeão sendo conhecido após nove rodadas.

Com início avassalador sobre os cariocas nas primeiras rodadas, vencendo-as todas, o Corinthians após derrotas no Clássico Alvinegro e no Majestoso, resolveu demitir José Castelli, mais conhecido como Rato, ídolo que foi como jogador e técnico, afinal de contas foi sob seu comando que o Corinthians iniciou sua a gloriosa supremacia na década de 50. Com a saída de Rato surge para comandar o “esquadrão imortal” do Corinthians o lendário treinador Osvaldo Brandão.

A situação para conquistar o título complicou-se em virtude das duas derrotas restando ao Corinthians ter que vencer seu maior rival na última rodada além de torcer para que o Fluminense não fizesse pontos contra o Vasco da Gama.

E foi exatamente esta, a combinação de resultados ocorrida na rodada decisiva disputada em 10 de julho, no “Clássico dos Gigantes” o cruzmaltino venceu pelo placar mínimo o tricolor carioca e no Pacaembu, depois de um difícil “Dérbi Paulista”, com o gol solitário do maior artilheiro de sua história, Cláudio Christovam de Pinho, o rival alviverde, pela sétima vez, viu o Corinthians gritar “É CAMPEÃO!” dentro do Pacaembu.

Com o bicampeonato do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, mais conhecido, como Rio-São Paulo, o Corinthians tornou-se o primeiro clube a vencer a competição em duas temporadas consecutivas, garantiu seu terceiro troféu do torneio tornando-se o maior detentor de títulos desta competição e deixou para trás o Palmeiras, que possuía dois troféus.

1954 – Taça Charles Miller

A Taça Charles Miller ou Torneio Charles Miller, seguiu o mesmo formato das extintas Taça Cidade de São Paulo e Taça Prefeitura Municipal de São Paulo, que consistia em que os três times mais bem colocados do Campeonato Paulista de 1953 (São Paulo, Palmeiras e Corinthians) se enfrentassem em um triangular com sede no Pacaembu, em turno único, sendo declarado como campeão do torneio o time com mais pontos somados. O Corinthians estreou em 21 de julho de 1954 vencendo o dérbi paulista por 3×0. Como na rodada do Choque-Rei a partida terminou empatada o Corinthians em 25 de julho necessitava apenas de um empate no Majestoso para ser o campeão.

Com sua tradicional raça o Corinthians, após estar perdendo o jogo por 3×1, conseguiu empatar a partida e garantir mais uma Taça para a sala de troféus do alvinegro do Parque São Jorge.

 

1954 – Campeonato Paulista

Corinthians, Corinthians

Por 100 anos serás o campeão.

Corinthians

Sempre leal adversário

Ostenta com orgulho a faixa de campeão…

do 4º centenário

Nasceste sob a luz de um lampião

pra ser o rei do nosso esporte bretão.

Tens em São Jorge o teu padroeiro

És do Brasil o time mais brasileiro

Esta música interpretada por Alfredo Borba e Orlando Ribeiro demonstra o que representou este título conquistado pelo Sport Club Corinthians Paulista.

O famoso cantor brasileiro Jamelão, tradicional intérprete dos sambas-enredo da escola de samba Mangueira, também prestou homenagem ao Corinthians em samba composto por Billy Blanco.

Procurei uma rima pra Corinthians

Não encontrei, mas achei a solução.

Soltei o Mosqueteiro no gramado, pra ser chamado:

Corinthians do Centenário, Bicampeão!

Soltei o Mosqueteiro no gramado, pra ser chamado:

Corinthians do Centenário, Bicampeão!

Peço ao Palmeiras que explique à Portuguesa

São Paulo e Juventus compreenderão com certeza

Corinthians era difícil de rimar, Eu tinha de arranjar a solução,

Então Soltei o Mosqueteiro no gramado pra ser chamado:

Corinthians do Centenário, Bicampeão!

José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão, que nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de maio de 1913 e faleceu em 14 de junho de 2008, gravou este agradável samba em 1955.

Desde 1954, quando se comemorou o IV Centenário de São Paulo, o Corinthians passou a ser chamado de o Campeão dos Centenários. Antes, em 1922, havia sido campeão do Centenário da Independência ao vencer o Paulistano por 2 a 0, com gols de Tatu e Gambarotta, no estádio da Floresta deixando seu maior rival e postulante ao título Palestra Itália com o vice em um campeonato disputado por pontos corridos.

Esta conquista permitiu ao Corinthians consolidar este título honorífico contra o América-RJ, que também havia recebido o título de Campeão do Centenário da Independência do Brasil como campeão carioca também em 1922.

O América pleiteava a glória de ser chamado de Campeão do Centenário e propôs um duelo tira-teima com o Corinthians. Resultado: Corinthians, o campeão dos campeões do Centenário, 2 x América 0.

E por isso Jamelão canta:

Corinthians do Centenário, Bicampeão!

O centenário de São Paulo foi comemorado de diversas formas pela cidade, com eventos como a inauguração do Parque Ibirapuera, uma chuva de prata com papéis picados no formato do símbolo do IV centenário e a inauguração parcial da Catedral da Sé. O futebol, que teve seu pontapé inicial no Brasil justamente em São Paulo, não poderia ficar de lado. O Campeonato Paulista, tido como o estadual mais forte do país, ganhou um tempero especial, e o vencedor teria o título de campeão do centenário, algo que só poderia se repetir em 2054.

A importância do Campeonato Paulista de 1954, se justificava pelo aniversário de 400 anos da cidade de São Paulo. Todos noticiários e veículos de comunicação proclamavam que o time que vencesse o torneio seria “campeão por um século”. E todos os clubes paulistas se mobilizaram para conquistar tamanha honra.

Todos os clubes buscaram se reforçar em busca do título histórico, foi grande a mobilização das equipes paulistas em conquistarem tamanha honra. A Portuguesa era base da Seleção Brasileira de 1952, o Palmeiras tinha uma grande equipe, o São Paulo foi vice em 53 e o Santos, ainda sem Pelé, começava a pintar como grande.

O Corinthians sem dúvida alguma era a força a ser batida. No início dos anos 50, o Timão fazia jus ao apelido.Era o melhor time do Brasil e um dos melhores do mundo, havia conquistado a Pequena Taça do Mundo de forma invicta, contra o Barcelona de Ladisláu Kubala, que no máximo conseguiu igualar-se ao grande Pequeno Polegar com 5 gols na competição e terminado o torneio, escolheu-se o melhor jogador: 1º Luizinho “Pequeno Polegar”, 2º Kubala. Antes, este inesquecível time corintiano, que ficou marcado como um dos maiores esquadrões do futebol, também havia vencido o Roma de Alcides Ghiggia (carrasco do Maracanaço) além da seleção de Caracas.

O Corinthians que conciliou uma mistura de jogadores clássicos e raçudos, vivia a melhor fase de sua história.

O Campeonato, que manteve a mesma fórmula de disputa dos anos anteriores, foi disputado no formato de pontos corridos, em turno e returno.

O dérbi paulista que decidiu o campeão do IV Centenário, representou bem o que foi o campeonato. O Corinthians liderou a competição desde as primeiras rodadas, sempre com o rival Palmeiras o seguindo de perto. O arquirrival alviverde teve a oportunidade de assumir a liderança do torneio na penúltima rodada do primeiro turno contra o próprio Corinthians. O Palmeiras vencia o dérbi paulista por 2×0, porém a tradicional raça corintiana virou o jogo de forma espetacular, e a partida terminou 3×2 para o Corinthians.

Depois desse jogo, o Timão não largou mais a liderança e no dia 6 de fevereiro de 1955, pela penúltima rodada do segundo turno o derradeiro dérbi paulista decidiu o campeonato. Para o Palmeiras, somente a vitória interessava para levar a decisão para a última rodada. Para o Corinthians, um empate bastava para consagrar-se como campeão paulista do IV Centenário de forma antecipada.

Na entrada de campo, todos entranharam a cor do uniforme do Palmeiras que resolveu jogar de azul por indicação de um pai-de-santo do presidente do Palmeiras e teria dado duas instruções para o dirigente. Uma era de que o time tinha que entrar de azul e a outra era de que ele deveria entrar em campo com a perna engessada, mesmo não estando machucado. O presidente palmeirense Paschoal Walter Byron Giuliano que faleceu em 1º de março de 2003 morreu negando essa história. Outra versão que vislumbra um motivo um pouco mais nobre menciona que, devido caráter decisivo do jogo, o Palmeiras resolveu rememorar suas origens italianas e escolheu usar o fardamento azul referente as cores da Casa da Coroa Italiana.

Luizinho “O Pequeno Polegar” em entrevista concedida à Rede Cultura, descreve que o Corinthians entrou primeiro em campo (2 ou 3 minutos antes), avaliou que o esquadrão corintiano estava muito agitado, nervoso, afinal de contas a partida valia o título do IV Centenário. Mas os corintianos, quando viram que os jogadores do Palmeiras não vestiam seu tradicional uniforme alviverde mas sim o azul, os ânimos se tranquilizaram e o Corinthians que começou o dérbi paulista vencendo com gol de Luizinho já aos 10 minutos do primeiro tempo cedeu o empate aos 7 minutos do segundo tempo (gol do centroavante Ney), muito contestado pelos corintianos, pois houve lance precedido de um empurrão de Humberto Tozzi, centroavante do Palmeiras, em Gylmar dos Santos Neves, o goleiro alvinegro.

De toda forma, o árbitro que deveria ter marcado a infração do “trombador” centroavante do Palmeiras, não assinalou o lance faltoso e o placar permaneceu inalterado até o final do jogo, e como o empate bastava para o Corinthians, o alvinegro do Parque São Jorge sagrou-se campeão paulista pela 15ª vez em sua história.Na seguinte e última rodada, o Corinthians enfrentou o São Paulo que queriam estragar a festa, porém foram facilmente derrotados, por 3×1 tornando completa a festa corintiana.

O Corinthians que havia conquistado o centenário da independência do Brasil em 1922, tornou-se então o “campeão dos campeões” do centenário, um título que teve a importância de um Mundial, guardadas as devidas proporções. Foi um título de grande expressão. Cada geração tem seu título, e quem viu 54 não esquece.

Fonte: Acervo digital GazetaPress (http://old.gazetapress.com/v.php?1:79078:6)

A conquista ganhou ainda mais destaque por ser a última antes da fila de 22 anos sem títulos de Paulistão, que terminou com o histórico gol de Basílio em 1977, na partida contra a Ponte Preta.

1955 – Torneio Internacional Charles Miller

Este foi o segundo torneio de “nível mundial” conquistado pelo ‘”Campeão dos Centenários”.

A década de 50 ficou marcada pela intenção da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) em organizar competições internacionais.

Antes de o Corinthians conquistar o Torneio Internacional Charles Miller, dois anos antes já havia conquistado a Pequena Taça do Mundo, na Venezuela de forma invicta, contra o Barcelona de Ladisláu Kubala, e também o Roma de Alcides Ghiggia (carrasco do Maracanaço). Sobre o título conquistado na Venezuela é descrito que houve apoteose no vale do Anhangabaú, dificuldades para os jogadores descerem do avião pois os jogadores foram esperados por uma multidão incalculável de admiradores e torcedores.

Houve cortejo que seguiu do aeroporto de Congonhas até o Jabaquara, passando por Vergueiro – Av. Paulista-Consolação – Av. São João e finalmente Vale do Anahangabaú.

Em 1952 o Corinthians havia superado todos os recordes de jogos invictos em gramado exterior (16 jogos: doze vitórias, três empates e uma derrota) quando na Europa venceu equipes da Suécia, Dinamarca, Finlândia, Turquia em uma excursão concluída com retorno ao Brasil sob homenagens aos craques corintianos recepcionados por 30 mil aficionados torcedores que juntaram-se há mais de 70 mil pessoas com posterior apoteose em uma vibrante carreata.

A participação corintiana na edição da Copa Rio em 1952 propiciou ao Corinthians novas vitórias internacionais, assim como no torneio que o precedeu, o Torneio Octogonal Rivadavia Corrêa Meyer.

Desta forma, o Torneio Internacional Charles Miller foi considerado a quarta edição da Copa Rio por algumas mídias esportivas. Concebido como um hexagonal seu regulamento propôs que o torneio fosse disputado em pontos corridos, em turno único e a que tivesse mais pontos somados se sagraria campeão.

Em sua estreia no dia 22 de junho, o Corinthians enfrentou justamente o Palmeiras vencendo-o de virada por 2×1 com gols de Cláudio “O Gerente” e Luizinho “O Pequeno Polegar”.

Na partida seguinte venceu o Flamengo por 3×0. No terceiro compromisso da competição, no dia 3 de julho, contra o Peñarol, ocorreu a única partida em que o Corinthians não conseguiu a vitória (empate em 2×2).

No dia 06 de julho, em uma espécie de final antecipada o Corinthians enfrentou o América que tinha 100% de aproveitamento, e caso nos vencesse, seria campeã com uma rodada de antecedência. Mesmo um empate seria um mau resultado para o Corinthians, já que o América manteria a liderança e dependeria apenas de si para levantar a taça na rodada seguinte.

Não querendo deixar a oportunidade escapar o Corinthians saiu na frente com gol de Baltazar, e nem mesmo o empate do América esfriou os ânimos dos jogadores alvinegros, já que Luizinho e Paulo marcaram e consolidaram a vitória de 3×1 para o Corinthians, que assumiu a liderança do hexagonal a apenas uma rodada do final da competição.

Com a mão na taça em 10 de julho, o Corinthians enfrentou o Benfica, base da Seleção Portuguesa. O Corinthians precisava só de um ponto para levantar a taça – isso porque na véspera o América havia encerrado com empate a sua participação no torneio e chegou a sete pontos ganhos, igualando a pontuação corintiana, e nenhuma das demais equipes poderia nos alcançar.

Os portugueses saíram na frente com um gol de Águas, aos 30 minutos. Ainda no primeiro tempo, Cláudio, de pênalti, empatou, aos 38. Após três minutos, Cláudio marcou o mais famoso de seus muitos gols de falta, fazendo Corinthians 2 a 1. Segundo uma declaração posterior do próprio goleiro Costa Pereira, que ficou muito famosa na época, nesse lance a bola “fez uma curvita” antes de bater na trave esquerda e entrar.

 

 

 

 

A Taça Charles Miller, toda de bronze, representa uma águia travando uma luta com um leão. Atualmente, encontra-se exposta no Memorial do Corinthians, no Parque São Jorge.

 

1955 – Torneio Início

Este foi o nono e último Torneio Início vencido pelo Corinthians, 11 anos após a conquista anterior, em 1944.

O Pacaembu sediou a disputa com o seu sistema já conhecido em edições anteriores com jogos eliminatórios de menor duração nos quais as equipes participantes se enfrentavam até a definição do campeão.

O Torneio Início já vivenciava um declínio de prestígio, principalmente no final da década de 1950, que inclusive passou a ter edições não disputadas voltando a ser realizado apenas em ocasiões esporádicas.

De toda forma, o Corinthians em 24/07/1955 tornou-se campeão desta competição pela nona vez alçando-o à condição de recordista do Torneio Início após vencer o Guarani por 1×0, eliminar o XV de Jaú no critério de desempate (número de escanteios 2-0) visto que a partida havia empatado em 0 a 0. E na partida decisiva, conquistar o título após golear o Linense por 4 a 0.

1956 – Copa do Atlântico

A Copa do Atlântico, também conhecida como Taça do Atlântico ou Taça Sul-Americana Interclubes foi um torneio internacional disputado entre junho e julho de 1956 e por possuir caráter de um torneio de nível continental é visto como uma competição predecessora da Copa Libertadores da América criada quatro anos depois.

O Corinthians relaciona a conquista da Copa do Atlântico de 1956 juntamente com outros títulos internacionais. Desta forma, este torneio representa ser o terceiro título internacional do Corinthians, sendo este de nível continental, afinal de contas o Corinthians já possuía duas taças de “nível mundial” (a Pequena Taça do Mundo de 1953 e o Torneio Internacional Charles Miller de 1955).

O sistema de disputa consistia em jogos eliminatórios disputados em partida única.

Os clubes participantes foram:

Do Brasil: Corinthians, Santos, São Paulo, Fluminense e América-RJ. Por sorteio, o Fluminense foi classificado antecipadamente para as quartas de final.

Da Argentina: Boca Juniors, River Plate, Racing, San Lorenzo e Lanús.

Do Uruguai: Nacional, Peñarol, Danubio, Defensor e Wanderers.

Organizado em parceria entre a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), a Asociación del Fútbol Argentino (AFA) e a Asociación Uruguaya de Fútbol (AUF), e como costumava acontecer naquela época, os representantes argentinos e uruguaios eram convidados de acordo com seu desempenho nos campeonatos nacionais. No caso dos times brasileiros, em virtude da falta de um campeonato de caráter nacional, que ainda não existia, as equipes do nosso país eram escolhidas a partir de seus resultados nos Campeonatos Paulista e Carioca, considerados os mais importantes dentre os estaduais. O Corinthians conquistou sua vaga no torneio como vice-campeão paulista de 1955.

No dia 23 de junho de 1956, um sábado à tarde, no Pacaembu, o Corinthians empatou por 2 a 2 com o Danubio, do Uruguai. Os uruguaios venciam por 2 a 0, gols de Cruz, aos 34 do primeiro, e Melgarejo, aos 17 do segundo, até que Cláudio, de pênalti, descontou para o Timão, já aos 41 do segundo. Aos 44, Paulo empatou, forçando a prorrogação de dois tempos de dez minutos. Como o empate permaneceu, o classificado teve que ser decidido em um sorteio, no qual o Corinthians levou a melhor.

Em 4 de julho de 1956, uma quarta-feira à noite, no Pacaembu, o Corinthians eliminou o rival praiano fazendo 4 a 3 no Santos de Zito, Jair Rosa Pinto e Pagão, que era o atual campeão paulista e chegaria ao bicampeonato neste ano de 1956. No primeiro tempo, Paulo, aos 30, fez Corinthians 1 a 0, Vasconcelos, aos 32, empatou para o Santos e Paulo, novamente, fez Timão 2 a 1, aos 37 minutos. Na segunda etapa, Zezé, aos 5, ampliou para o Corinthians, Alfredinho, aos 25, descontou para o Santos, Jair Rosa Pinto, aos 35, chegou a empatar o jogo em 3 a 3, mas Cláudio, de pênalti, aos 40, deu números finais à partida, classificando o Timão para as semifinais.

Nas semifinais, enquanto o Boca Juniors fazia 2 a 0 no Lanús, Corinthians e São Paulo se enfrentaram no Pacaembu, em uma tarde de sábado, 7 de julho de 1956. No Majestoso, o Timão eliminou o rival fazendo 2 a 0, gols de Zezé, aos 2, e Cláudio, aos 5 minutos do segundo tempo. Naquele dia, o Corinthians jogou com seu time-base ao longo de toda a competição: Valentino (que substituía Gilmar), Olavo e Alan; Idário, Walmir e Roberto; Cláudio, Paulo, Baltazar, Rafael e Zezé. O técnico era Oswaldo Brandão.

Para a final classificaram-se Corinthians e Boca Juniors e neste momento o torneio passa a possuir um caráter controverso.

Corinthians e Boca Juniors deveriam ter decidido a Copa do Atlântico, mas não existem registros confiáveis sobre a realização dos jogos.

Buscando informações na internet, encontra-se no Wikipédia que o Corinthians teria vencido o Boca Juniors por 3 a 2, na Bombonera, no dia 19 de julho de 1956, uma quinta-feira. Esse jogo dificilmente teria acontecido, pois 48 horas antes, na noite da terça, 17, o Timão estava no Brasil, vencendo o XV de Jaú por 1 a 0, no Pacaembu, pelo Campeonato Paulista.

É consenso dentre os principais estudiosos da história corintiana que Corinthians e Boca Juniors jamais chegaram a entrar em campo para decidir a Copa do Atlântico de 1956, principalmente por falta de datas.

 

 

 

A Copa do Atlântico de Clubes dividia a atenção com a Copa do Atlântico de seleções, o que acabou gerando algumas divergências da Federação Paulista inclusive com a CBD.

 

 

Folha da manhã – 3ª Feira, 10 de Julho de 1956 – Assuntos Gerais – Pág. 9

Em função do empate em 0 a 0 entre as seleções brasileira e argentina pela Copa do Atlântico no dia 08/07/1956 ficou a cargo das entidades futebolísticas (CBD e AFA) definir as datas para o encontro –desempate.

Conforme descrito na reportagem, inicialmente o encontro-desempate poderia ocorrer no Uruguai ou em São Paulo.

 

 

BARGANHA?

O conflito de interesses quanto a escolha de datas e local para a realização das partidas entre as seleções brasileira e argentina pela também nomeada “Copa do Atlântico”, proporcionou um caso curioso sobre a realização da final da Copa do Atlântico entre Corinthians e Boca Juniors.

Na reunião entre os cartolas brasileiros e argentinos, a AFA (Asociación del Fútbol Argentino), considerava que a seleção argentina jogasse contra a seleção brasileira no Brasil (Maracanã ou Pacaembu) desde que a CBD concordasse em convencer o Corinthians a ir a Buenos Aires para disputar com o Boca Juniors a final da Copa do Atlântico.

A entidade máxima do futebol brasileiro concordou em discutir o assunto com a Federação Paulista de Futebol (FPF), porém o posicionamento dos paulistas era o seguinte: ou os argentinos viriam ao Pacaembu, ou a seleção brasileira não iria contar com os jogadores paulistas.

 

NADA RESOLVIDO EM 19 DE JULHO DE 1956!

Na sede da Federação Paulista a importante reunião para definição das datas dos confrontos finais tanto da seleção brasileira contra a seleção da argentina pela Copa do Atlântico de seleções, assim como, para a definição de datas para a decisão do título entre Corinthians e Boca Juniors pelo Torneio Internacional Interclubes (Copa do Atlântico de clubes), vivenciou antes, um clima de tensão entre o presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), Sylvio Pacheco e o  dirigente paulista Sr. Paulo Machado de Carvalho que depois da manifestação de outros dirigentes paulistas, foi enfático em dizer que a CBD sempre colocava o futebol de São Paulo em segundo plano (O dirigente da CBD Luís Murgel retrucou as afirmativas), porém o dirigente paulista manteve seu posicionamento mantendo o tom enfático dizendo que ele tinha a obrigação em defender o público esportivo de São Paulo. Disse ainda que todos os jogos bons ficam para o Rio de janeiro e para São Paulo são escalados os “abacaxis” (sic).

O presidente do Corinthians, Alfredo Ignácio Trindade também reforçou os argumentos do Sr. Paulo Machado de Carvalho, incluindo na discussão que o Corinthians não poderia ceder para a partida amistosa da seleção brasileira contra seleção da Tchecoslováquia o goleiro Gylmar dos Santos Neves, pois o goleiro reserva Valentino Chies havia sido licenciado para casar-se. O goleiro Cabeção, que ainda pertencia ao Corinthians, porém defendia a Portuguesa foi lembrado, mas a Portuguesa de Desportos manteve o mesmo caminho do dirigente corintiano incluindo a não-cessão de Djalma Santos.

Terminada a questão dos jogos contra a Tchecoslováquia os dirigentes colocaram em pauta as partidas da Copa do Atlântico entre Brasil vs. Argentina, assim como, pela Copa do Atlântico entre Corinthians vs. Boca Juniors.

A CBD COLOCAVA O FUTEBOL PAULISTA EM SEGUNDO PLANO?

O dirigente da CBD, Luís Murgel apresentando proposta oficiosa da AFA propôs a data de 15 de agosto de 1956, para o embate decisivo entre Corinthians e Boca Juniors em Buenos Aires, e de 6 de setembro para o desempate entre as seleções brasileira e argentina pela Copa do Atlântico, no Rio de Janeiro.

O Corinthians, com base no que já havia sido proposto anteriormente, manteve a discordância em ir à Buenos Aires, porém não contrariou que a disputa fosse realizada em São Paulo no dia 15 de novembro.

O dirigente carioca da CBD, quando apresentou a proposta oficial da AFA, não atentou-se que o Pacaembu estaria ocupado em virtude da Semana da Pátria devidas festividades do feriado da Independência do Brasil visto que o estádio municipal de São Paulo foi requisitado de 1 à 7 de setembro pela 2ª Região Militar.

Luís Murgel informou que seriam realizados esforços em conseguir autorização para que o jogo fosse realizado no Pacaembu, e esclareceu que a AFA ainda deveria concordar em atuar em São Paulo.

No final das contas, tanto pela Copa do Atlântico de Seleções, quanto pela Copa do Atlântico de Clubes, as entidades futebolísticas do Brasil e da Argentina não entraram em acordo.

A seleção brasileira, que no dia 08/07/1956 havia empatado em 0 a 0 em Buenos Aires contra a seleção argentina não os enfrentou novamente em um encontro-desempate.

A seleção brasileira apresenta em sua lista de títulos a conquista da Copa do Atlântico de 1956, inclusive sendo esta, a primeira de três, as outras duas foram conquistadas em 1960 e 1976.

 

Sobre a decisão entre Corinthians e Boca Juniors, mais de um ano depois é possível encontrar a edição do jornal O Estado de São Paulo de 28 de dezembro de 1957 informando que as finais da competição ainda não tinham sido jogadas e que finalmente seriam realizadas nas datas de 26 de janeiro de 1958 e 2 de fevereiro de 1958. Naquele período, no entanto, o Corinthians estava excursionando pela Bahia. Em 2 de fevereiro de 1958, inclusive, venceu o Fluminense de Feira de Santana, naquela cidade, por 2 a 1.

De toda forma, como o Corinthians relaciona a Copa do Atlântico de 1956 como um título conquistado legitimamente, e como por falta de registros históricos confiáveis, não foi possível confirmar a conquista do título frente aos bosteros, fica considerado como sendo o “jogo do título” o “Majestoso” disputado em 7 de julho de 1956 vencido pelo Corinthians no Pacaembu por 2×0.

Entretanto se o Corinthians inclui esse título em sua lista, deveria pelo menos considerá-lo dividido com o Boca Juniors.

1956 – Taça dos Invictos

O Corinthians conquistou esta taça,  pela primeira vez em sua história empatando por 2 x 2 com o São Paulo em 1º/12/56. Este empate no majestoso, possibilitou ao Corinthians completar sua 25ª partida invicta e levantar assim a Taça dos Invictos.

O Corinthians chegou a 29 jogos sem derrota, que começou no dia 26/07/56, na vitória por 3 x 1 sobre o Jabaquara. Foram 21 vitórias e 8 empates.

A Taça dos Invictos previa a posse transitória do troféu pela equipe que superasse o número vigente, sendo que o clube que conquistasse a taça por duas ocasiões, seguidas ou alternadas, conquistaria o troféu de forma definitiva.

1957 – Taça dos Invictos

Reprodução da página 68 da revista A Gazeta Esportiva(1ª quinzena de dezembro 1957)com os jogadores do Corinthians em pé(da esquerda para a direita): Oreco, Idário, Valmir, Olavo, Benedito e o goleiro Gilmar – Agachados: Cláudio, Paulo, Índio, Zague e Rafael, antes da partida contra a Ponte Preta, válida pelo Campeonato Paulista 1957, em 24/11/1957. O Timão conquistou a II Taça ‘ A Gazeta Esportiva’, após completar o 31º jogo invicto.

A 31º partida invicta do Corinthians obtida no dia 3/11/1957, não proporcionou a conquista do título estadual ao campeão dos centenários. Entretanto, propiciou ao alvinegro do Parque São Jorge  conquistar de forma definitiva a Taça dos Invictos.

Os jornais do dia noticiavam a segunda missão do Programa Sputnik, que enviou o primeiro ser vivo ao espaço, a cadela Laika.

Para o espaço também estava indo a invencibilidade do time alvinegro da capital, pois o rival, alvinegro praiano  ganhava por 3 a 2 o prélio faltando um minuto para acabar o clássico. Porém, conforme noticiado “O Corinthians fez mais uma das suas”.

Eram 28 jogos sem perder, entre amistosos e partidas pelo Paulista. A derrota não renderia a Taça dos Invictos, tão cobiçada na época, em definitivo para o Parque São Jorge, quando o atacante Paulo, do Corinthians, que atuou improvisado na lateral, disparou de longe. A bola passou por todos e entrou, mansamente, no gol de Laércio do Santos. As quase 20 mil pessoas presentes no estádio municipal viram o empate em 3 a 3 e um jogo histórico.

No mês seguinte neste mesmo estádio do Pacaembu, no dia 29 de dezembro de 1957, Corinthians e São Paulo se enfrentaram em partida válida pela última rodada do Campeonato Paulista. Quem vencesse o duelo, se tornaria campeão da competição. Em caso de empate, São Paulo, Corinthians e Santos realizariam um triangular para decidir o título.

O “majestoso” decisivo entrou para a história como “A Tarde das Garrafadas”,  por causa da fúria da torcida corintiana, que estavam revoltados com o árbitro Alberto Gama Malcher.

Então, uma chuva de garrafas foi lançada para dentro do campo.

O Corinthians ainda era o grande time do início da década e vários jogadores tinham conquistado o Troféu do IV Centenário em 1954, porém também revoltados com o árbitro, os mosqueteiros alvinegros reclamaram de impedimento e jogadores de ambos os times protagonizaram uma briga generalizada.

Se o título estadual não veio, a história registra no ano de 1957 a maior série invicta da história do Corinthians. O Timão atingiu 26 vitórias e 11 empates.

Atualmente o Corinthians possui cinco conquistas da Taça dos Invictos (1956, 1957, 1988, 1990 e 2009).

Em 2009 o Corinthians foi Campeão Paulista invicto, porém a Taça dos Invictos foi conquistada na semifinal em um “Majestoso” no Morumbi.  No dia 19/04/2009, além de deixar o rival de fora da decisão do Estadual, com mais uma vitória na semifinal, o Corinthians também tirou do São Paulo a Taça dos Invictos, prêmio oferecida pela Federação Paulista de Futebol. Detentor do troféu desde 2007, o rival viu o Corinthians melhorar a melhor marca do clube sem conhecer derrotas após a vitória por 2 a 0.

A primeira partida da semifinal disputada em 12/04/2009 no Pacaembu, já havia sido traumática aos tricolores, principalmente ao goleiro e ídolo Rogério Ceni, pois nesta primeira decisão, o Corinthians além de vencer de virada por 2×1 aos 48 minutos do segundo tempo, também contabilizou o milésimo e o milésimo primeiro gol sofrido pelo goleiro são-paulino consolidando-o como o goleiro que mais levou gols do Corinthians na história e sendo o Corinthians o seu maior carrasco.

A Taça dos Invictos conquistada em 2009 continua em posse do Corinthians e também pode ser vista com as demais no memorial do clube no Parque São Jorge.

1957 – Torneio de Classificação do Campeonato Paulista

Assim como ocorrido no ano anterior a edição do Campeonato Paulista de 1957 previu em seu regulamento um Torneio de Classificação em que os 20 times participantes se enfrentariam em sistema de pontos corridos, em turno único, para decidirem seu futuro na competição: enquanto as 10 primeiras colocadas avançariam para disputar o título do Campeonato Paulista, com turno e returno, as demais 10 disputariam o Torneio de Rebaixamento, também com dois turnos.

A razão para esse regulamento foi o longo período inativo dos clubes, principalmente no segundo semestre.

O desempenho do Corinthians neste torneio foi impressionante: completou os 19 jogos de forma invicta (foram 13 vitórias ao todo, com uma sequência de 11 triunfos). Destacaram-se as goleadas sobre a Ferroviária por 7 a 1, 5 a 1 diante de Botafogo e 5 a 0 diante do Linense.

Em clássicos, viradas sobre Santos e São Paulo. Na rodada final, com a primeira colocação assegurada, o Corinthians enfrentou o Palmeiras e consolidou a conquista do Torneio de Classificação de forma invicta contra seu maior rival terminando a competição com cinco pontos à frente do segundo colocado.

O Timão foi considerado como o campeão desta etapa, visto que a fase de classificação não costuma ser computada como parte do Campeonato Paulista, e sim como um torneio individual.

Apesar da impressionante campanha no Torneio de Classificação, cujo desempenho colocou o Corinthians como candidato preferencial ao título do Campeonato Paulista, o resultado no estadual não foi de igual sucesso. O Corinthians terminou na terceira colocação, dois pontos atrás do campeão São Paulo, que venceu o Majestoso exatamente na última rodada da competição ultrapassando o Corinthians na tabela.

O clássico que culminou com o vice-campeonato corintiano terminou de forma polêmica, pois o Majestoso teve um gol bastante controverso a favor do tricolor paulista. Aos 34’ do Segundo Tempo o São Paulo ampliou o placar para 3 a 1. Segundo a maioria dos relatos, o autor do gol são-paulino estava em posição de impedimento.

De toda forma, o campeão do Torneio de Classificação do Campeonato Paulista de 1957 foi o Corinthians e este torneio consta na lista de conquistas da história do alvinegro do Parque São Jorge.

 

1958 – Taça Charles Miller

Seguindo a mesma fórmula da Taça Charles Miller vencida pelo Corinthians em 1954 que seguia o modelo das extintas Taça Cidade de São Paulo e Taça Prefeitura Municipal de São Paulo.

Esta edição da Taça Charles Miller foi disputada pelos três primeiros colocados do Campeonato Paulista de 1957. Corinthians (terceiro colocado), São Paulo (campeão) e Santos (vice), nos quais, se enfrentariam em um triangular com sede no Pacaembu de todos contra todos em turno único, sendo declarado campeão o time com mais pontos somados.

O Corinthians estreou em 13 de abril, contra o Santos, em partida terminada com empate em 2×2 mesmo o Corinthians tendo ficado em vantagem duas vezes. Paulo e Battaglia marcaram os gols corintianos.

Na partida seguinte o Corinthians goleou o rival São Paulo por 5×1.

Com este resultado o título ficou para ser definido no próximo duelo entre Santos e São Paulo que fecharia o triangular. Porém, como o Santos venceu o São Paulo, a liderança ficou dividida entre Corinthians e Santos.

Foi marcado para o dia 27 de maio, o confronto entre alvinegros para definição do título.

 

Só que, não estava previsto o mau tempo que atingiu a capital paulista na semana do jogo decisivo. O mau tempo inclusive, provocou o cancelamento de várias outras partidas agendadas para aquela semana. Desta forma, santistas e corintianos, em comum acordo, decidiram adiar a realização da partida que decidiria a Taça Charles Miller e não estipularam uma nova data enquanto não melhorassem as condições de tempo, pois os cancelamentos provocavam prejuízos financeiros.

Fato é que após o cancelamento da partida decisiva, o Corinthians programou vários jogos amistosos. Após o adiamento da partida contra o Santos o Corinthians realizou no domingo seguinte um amistoso em São João da Boa Vista e no dia 5 de junho um novo amistoso em Guaratinguetá, que por cada uma dessas partidas o Corinthians receberia 80.000 cruzeiros. Uma terceira – e mais importante- estava sendo acertada: contra o São Paulo F.C. para permitir o lançamento oficial do ponteiro Tite que ficou para o clube do Parque São Jorge na “bagatela” de dois milhões de cruzeiros.

Iniciava-se aí complicações de agenda, pois neste período do ano a seleção brasileira estava finalizando seus preparativos para estrear no dia 8 de junho pela Copa do Mundo contra a Áustria. O Corinthians mesmo, havia enfrentado a seleção brasileira em sua despedida do Brasil no dia 21 de maio de 1958.
Neste contexto, devido período de inatividade dos clubes, o Corinthians manteve sua agenda ocupada com partidas amistosas, como por exemplo: a programação de jogos amistosos em Minas Gerais (foram dois contra o Atlético Mineiro em 10 e 12 de junho), a participação no Torneio de Brasília nos dias 19, 21 e 22 de junho (na qual, o Corinthians foi o campeão).

 

 

 

 

Quanto à decisão entre Corinthians e Santos, consta que o encontro-desempate jamais foi remarcado sendo o Corinthians declarado como o campeão desta, que seria a última edição da Taça Charles Miller.

No próximo post apresentarei as conquistas corintianas no Pacaembu referente à década de 60 que mesmo sendo de um período de pouco êxito na história corintiana servirá para esclarecer à legião de anticorintianos sobre dois mitos que foram criados em torno do Corinthians: o primeiro, em que afirmam que o time ficou 23 anos “sem ganhar nada”. O segundo, que diz que o time ficou 11 anos sem vencer o Santos, pois conforme será elucidado, o Corinthians “conquistou” além do Rio-São Paulo de 1966 em um “Clássico Alvinegro”, a Taça São Paulo de 1962 em plena Vila Belmiro.

VAI CORINTHIAS!!!

Escrito por