Corinthians vingou o Maracanaço!

Saudações corinthianas!

A história da seleção brasileira e do “Time do Povo” o Sport Club Corinthians Paulista sempre foi muito próxima.

Tão próxima que em apenas 6 anos após sua fundação em 1910, o Corinthians já passava a ceder atletas à seleção.

Em comemoração aos festejos do Centenário de Independência da Argentina, foi criado o primeiro Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1916, e esta, foi a competição internacional mais importante na América do Sul até a criação do Mundial de 1930. Em 2016, houve uma edição especial da Copa América denominada “COPA AMÉRICA CENTENÁRIO” que foi realizada entre 3 e 26 de junho de 2016 nos Estados Unidos e também foi a primeira Copa América disputada fora da América do Sul.

No Corinthians, o primeiro jogador a ser convocado para a Seleção Brasileira foi Amílcar Barbuy, que anos depois sofreu um certo boicote na história oficial do Corinthians por ter ido para o rival Palestra Itália, porém de forma não oficial é tido como um dos primeiros ídolos do Corinthians e foi ele o primeiro atleta corintiano a vestir as cores da seleção brasileira.

Em 1919, outro grande ídolo corintiano, tido como sendo o primeiro (com todos os méritos), deixou sua marca na história da seleção. Trata-se de Manuel Nunes, o Neco.

O ano de 1919 é um marco para todo o futebol, pois pela primeira vez o Brasil realizou e conquistou um campeonato internacional. Este ano glorioso é comparável aos gloriosos anos em que a seleção conquistou suas cinco Copas do Mundo.

O Brasil dedicou-se com entusiasmo à organização do torneio e em 25 de maio de 1919, a seleção canarinha que precisava vencer os uruguaios para conquistar seu primeiro título internacional, contou com Neco para salvar o time e o título brasileiro, pois a seleção que perdia de 2 a 0 para os uruguaios, contou com os dois gols de empate feitos por Neco. E se, não fosse por sua característica habitual que conciliava raça e técnica não haveria no dia 29 de maio o jogo de desempate que culminou no primeiro título internacional da seleção brasileira com gol de Friedenreich depois de lance iniciado pelo NECO no início do segundo tempo da prorrogação, quando o craque corintiano toma a bola no meio de campo, avança pela direita, dribla, vai à linha de fundo, cruza para Heitor, que chuta, e o goleiro uruguaio rebate, sobrando para Friedenreich, quase debaixo das traves, completar o gol salvador que daria a vitória ao Brasil. Neco ainda foi o artilheiro da competição, juntamente com “El Tigre” Friedenreich com 4 gols.

Em 1925, o ano também seria especial para o Corinthians, pois neste ano os corintianos tiveram o privilégio de enfrentar a Seleção Brasileira no fim da temporada. Para o Brasil, o duelo serviu como preparação para o Campeonato Sul-Americano do mesmo ano, que foi disputado na Argentina que venceu o torneio sendo a seleção brasileira a vice. O Corinthians teve seu tetracampeonato paulista impedido pela Associação Atlética São Bento do craque da Seleção Brasileira de Futebol, Feitiço, que acabou artilheiro do torneio.

Na partida amistosa contra a seleção, o Corinthians, ainda com muitos remanescentes do tricampeonato Estadual de 1924 não pôde contar com Neco. Na ocasião, o jogador defendeu a Seleção. Aliás, ao lado de Amílcar Barbuy, que conforme mencionado foi o primeiro corintiano a usar a camisa amarelinha.

Nesse primeiro encontro com o Brasil, o alvinegro saiu atrás no placar, mas 14 minutos após sofrer um gol, os corintianos chegaram ao empate. Final da partida disputada em 11/11/1925. CORINTHIANS 1 X 1 BRASIL.

O Corinthians ainda enfrentou a Seleção principal em mais uma oportunidade, em 1958, dessa vez, como preparação para a Copa do Mundo da Suécia.

No dia 21 de maio de 1958, no estádio do Pacaembu, a paixão pelo Corinthians fez o “bando de loucos” vaiar a seleção canarinho antes de viajar à Suécia. A Fiel queria a convocação do ídolo Luizinho “Pequeno Polegar” que semanas antes foi cotado a ocupar a vaga do meio-campista Didi que, segundo insinuações, não estava no seu melhor estado físico.

Nesta partida “amistosa” em que a seleção brasileira se despediria do Brasil jogando com o Corinthians, Luizinho também enfrentava a concorrência  de outro atleta que jogava na mesma posição. Um garoto de 17 anos chamado Edson… o tal Pelé que ainda levou uma sapatada de Ari Clemente zagueirão alvinegro e quase ficou fora da Copa.

Dizem os mais antigos que, naquele momento, Pelé teria prometido que o Timão jamais seria campeão enquanto ele estivesse em campo. Coincidência ou não, iniciou-se um tabu de quase 11 anos sem vitórias do Corinthians contra o Santos pelo Campeonato Paulista o Rei do Futebol parou no dia 1 de outubro de 1977 e o Timão conquistaria o título paulista apenas doze dias depois.

Nesta partida do Corinthians contra a Seleção Brasileira realizada em 21 de maio de 1958, ocorreram os dois primeiros gols de Garrincha com a camisa nacional (que anos depois viria a vestir o manto alvinegro em 1966). O atacante do Botafogo, até então, havia disputado sete jogos pela seleção, mas ainda não havia marcado.

No mesmo ano, ele e Pelé fariam a histórica parceria no primeiro título mundial da Seleção.

Sete anos depois em 1965, o Corinthians representou a Seleção, porém foi derrotado.

O Corinthians foi uma das poucas equipes nacionais que tiveram o privilégio de defender a Seleção Brasileira. Isso aconteceu em 16 de novembro de 1965, e o adversário eram os ingleses do Arsenal. A partida aconteceu em Londres, no lendário estádio Highbury e além da fase corintiana ser terrível (atravessava um jejum de títulos que já durava 11 anos e ainda tinha mais 12 por vir), a fase brasileira também não era tão boa. O País vivia uma transição de gerações e por isso, mais tarde, não se deu muito bem na Copa do Mundo, disputada justamente na Inglaterra, e vencida pelos donos da casa.

Porém, o Arsenal que enfrentou o Corinthians pouco auxiliou nessa conquista no que se refere à cessão de jogadores para a sua seleção. Dos 22 ingleses que fizeram história na Copa do Mundo de 1966 apenas um era do Arsenal, ou atuou nessa partida de 1965, o atacante George Eastham (que também nem entrou em campo no mundial).

Para fazer a partida o Corinthians sofreu muito com a mudança climática. Dois dias antes, havia sido derrotado pelo Santos, por 4 a 2, jogando sob um sol de 30º. Saiu de São Paulo para jogar na Europa com a incrível temperatura de 3 graus abaixo de zero. Para piorar, a camisa azul da Seleção Brasileira tinha mangas curtas e inicialmente derrotados pelo frio intenso Rivellino relatou que precisou apelar para um bom conhaque para se esquentar. “Meu pé congelou. O treinador era o Osvaldo Brandão. Ele falou para eu tomar conhaque”. A artimanha, porém, não funcionou. “Não esquentei e nem fiquei bêbado”. Literalmente o jogo foi uma “fria”.

Mesmo assim, os relatos contam que o time comandado por Osvaldo Brandão e que contava com o jovem Rivellino, de 19 anos, além de Edson Cegonha, Dino Sani e Flávio, entre outros, suportou bem a partida no primeiro tempo, que terminou empatado sem gols. Na segunda etapa, porém, Sammels marcou duas vezes e decretou o resultado da partida, Arsenal 2 x 0 Brasil.

Toda essa relação de grande proximidade entre o Corinthians e a Seleção Brasileira ficou ainda mais evidente quando se trata do Maracanaço.

Para os brasileiros uma tragédia, um drama recorrentemente rememorado, mas que nas cores alvinegras do uniforme corintiano o feito realizado pelo “esquadrão” do Corinthians em plena Montevidéu deu a oportunidade de os uruguaios sentirem o sabor amargo do Maracanaço.

Ainda em 1951, o Corinthians inicia uma década memorável de sua história conquistando títulos e vingando a Seleção Brasileira que, um ano antes, perdeu o Mundial realizado no Brasil para o Uruguai.

Em seu primeiro jogo no exterior, o Corinthians foi convidado pela seleção celeste para participar da festa do primeiro aniversário da conquista da Copa do Mundo de 1950 no estádio Centenário em Montevidéu.

O Corinthians vingou o Maracanaço contra a seleção uruguaia de Gigghia (herói do Uruguai na final da Copa de 50) e Obdulio Varella (que foi convidado a participar das festividades, mas não apareceu decepcionando os dirigentes uruguaios), visto que pelo menos 8 jogaram contra o Timão na festa de aniversário em Montevidéu.

A partir daí o Corinthians passa a consolidar-se como time de fama internacional, já na década de 50, com vitoriosa jornada no Velho Mundo em 1952 enfrentando equipes da Turquia, Dinamarca, Suécia e Finlândia, inaugurando inclusive o estádio olímpico de Helsinque, além de provar que foi o Corinthians quem vingou o Maracanaço.

A seleção campeã do mundo de 1950, não foi párea para a “seleção” do Corinthians.

O jogo, realizado no dia 30 de junho de 1951 no lendário estádio Centenário no Uruguai, teve vitória corintiana por 4 x 1, com gols de Baltazar aos 17’ e 24’, e Luizinho aos 37’ do primeiro tempo. Nelsinho fez o quarto gol aos 23’ do segundo tempo. A. Garcia marcou o único gol dos uruguaios.

Um ano depois o fato se repetiu com dois soberbos gols de Cláudio “O Gerente”, o Corinthians derrotou mais uma vez os uruguaios, desta vez no Pacaembu e mais uma vez a cidade ficou em festa graças ao Todo Poderoso Timão.

Conforme muito bem descrito no livro de Celso Unzelte: Timão 100 anos – 100 jogos, 100 ídolos.

Pela Copa Rio de 1952 o adversário corintiano nas semifinais foi o temível Peñarol (campeão uruguaio de 1951) que contava em seu escrete com cinco jogadores da seleção celeste que, dois anos antes, havia conquistado a Copa do Mundo derrotando a seleção brasileira no Maracanã (Rodrígues Andrade, Obdúlio Varela, Ghiggia (O Carrasco do Maracanaço), Míguez e Schiaffino), além do técnico também campeão do mundo na Copa de 1950, Juan López.

Batalha pela Copa Rio de 1952 (Fonte: Livro Timão 100 anos – 100 jogos, 100 ídolos, de Celso Unzelte)

Em uma das partidas mais violentas da história corintiana, Baltazar saiu com o malar fraturado por uma cotovelada de Carrizzo, Roberto Belangero teve o dedo mínimo do pé fraturado e Murilo teve o menisco e os ligamentos rompidos. Mesmo assim, o Timão venceu de virada: 2 a 1. O Peñarol recusou-se a fazer o segundo jogo, e o Corinthians classificou-se por W.O. para a decisão da II Copa Rio contra o Fluminense. Desfalcado de alguns de seus principais titulares, acabou perdendo aquele título.

O domínio do Corinthians foi absoluto na década de 50.

Além de conquistar três títulos de campeão paulista (1951, 1952, 1954) sendo este último o do IV Centenário, também levantou vários outros torneios estaduais como o Torneio Início do Campeonato Paulista de 1955, Taça Cidade de São Paulo de 1952, Taça Prefeitura Municipal de São Paulo de 1953, o Torneio das Missões/Taça Tibiriçá de 1953, a Taça Charles Miller de 1954, Taça dos Invictos em 1956 e 1957, o Torneio de Classificação do Campeonato Paulista de 1957. Em nível interestadual também venceu três Torneios Rio-São Paulo (1950, 1953, 1954) e o Torneio de Brasília de 1958.

Tal força e fama do Corinthians propiciaram inclusive excursionar em 1952 pela Europa e superar todos os recordes de jogos invictos em gramado exterior, com o esquadrão corintiano sendo recepcionado no Brasil por 30 mil aficionados no aeroporto que depois juntaram-se há mais de 70 mil pessoas com posterior apoteose em uma vibrante carreata.

A participação corintiana na segunda edição da Copa Rio em 1952 propiciou ao Corinthians novas vitórias internacionais, assim como, no Torneio Octogonal Rivadavia Corrêa Meyer que o sucedeu em 1953.

Como destaque por suas conquistas internacionais ficam os torneios de “nível mundial”.

A Copa Presidente Marcos Pérez Gimenez/Pequena Taça do Mundo de 1953 conquistada pelo Corinthians na Venezuela de forma invicta, contra o Barcelona de Ladisláu Kubala, e também o Roma de Alcides Ghiggia (carrasco do Maracanaço), onde é descrito que houve apoteose no Vale do Anhangabaú, dificuldades para os jogadores corintianos descerem do avião que também eram esperados por uma multidão incalculável de admiradores e torcedores. Além da realização de um cortejo que seguiu do aeroporto de Congonhas até o Jabaquara, passando por Vergueiro – Av. Paulista-Consolação – Av. São João e finalmente Vale do Anahangabaú.

O Torneio Internacional Charles Miller de 1955 foi considerado a quarta edição da Copa Rio e o Corinthians conquistou mais este troféu para a sua galeria contra o Benfica, base da Seleção Portuguesa.

Há também a Copa do Atlântico de 1956 que foi um torneio internacional disputado quatro anos antes da criação da Libertadores. No Pacaembu, o Corinthians havia eliminado o Santos (que era o atual campeão paulista e chegaria ao bi naquele ano) nas quartas de finais, e o São Paulo na semifinal.

Corinthians e Boca Juniors deveriam ter decidido a Taça do Atlântico, porém não existem registros confiáveis sobre a realização dos jogos entre alvinegros e bosteros, embora constem informações (Wikipédia) em que o Corinthians teria vencido o Boca Juniors por 3 a 2, na Bombonera, no dia 19 de julho de 1956.

O Corinthians relaciona este torneio em sua galeria de títulos.

Este inesquecível time do Corinthians ainda recebeu: o Troféu Bandeirante de 1954 e a Taça Mais Querido do Brasil em 1955.

Recebeu títulos honoríficos como o de Campeão Honorário do Brasil pelo Torneio Rio-São Paulo de 1950, recebeu a Fita Azul do Futebol Brasileiro em 1952 em virtude do sucesso da excursão ao exterior, retornando com uma grande série invicta, recebeu também o título honorífico de Campeão Internacional dos Invictos em 1954 e Campeão dos Centenários (1922 e 1954), referente à conquista de títulos no Centenário da Independência do Brasil, assim como, do IV centenário de São Paulo, respectivamente.

Não à toa, foi o esquadrão imortal do Corinthians nos anos 50 quem realmente vingou o Maracanaço.

Corinthians. Sua história, suas glórias!

VAI CORINTHIANS!

 

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