Fratelli d'Italia!Imigrantes da terra de Cipião torceram antes para o Timão.

Saudações corinthianas!

A relação entre Corinthians e Palestra/Palmeiras precede os duelos em campo.

Na Pauliceia o Sport Club Corinthians Paulista foi idealizado principalmente por imigrantes italianos, porém seu nome de origem britânica demonstra que o clube também foi idealizado por gente de toda origem.

Italianos eram maioria no Bom Retiro, bairro onde o Corinthians foi fundado. Esta ligação começa a ser modificada após 4 anos da fundação do time do “povo italiano” e de “todos os povos”.

Em 1910 após um dia de trabalho, 13 pessoas (a maioria de origem humilde) se reuniram sob a luz de um lampião para criar no que se tornou o time mais popular da cidade.

Puglianos, Friulanos, Trentinos, Lombardos, Calabreses, Vênetos, Sicilianos… atenderam a conclamação de Vincenzo Ragognetti e em agosto nascia a Società Sportiva Palestra Itália que passou a reunir os vários atletas e torcedores de origem italiana que estavam espalhados pelos clubes da cidade.

O Corinthians continuou a representar as diversas colônias (inclusive a italiana), porém a inconveniente evasão “italo-brasiliana” foi o prelúdio para o surgimento da maior rivalidade do futebol brasileiro.

Equipe campeã paulista de 1914: Aristides, Fulvio e Casemiro; Police Bianco e César; Américo, Perez, Amílcar, Aparício e Neco. De origem italiana: Fúlvio Benti, Francisco Police e Bianco Gambini, Américo Fiaschi e Amílcar Barbuy.

Antes do 1º Derby Paulista, o Corinthians chegou a emprestar 5 jogadores ao Palestra Itália todos de origem italiana. Dentre eles Bianco o “traditore” capitão que levantou a taça de campeão paulista pelo Corinthians em 1914 e trocou em definitivo seu time de origem pelo recém-fundado Palestra.

Raphael Perrone, um dos fundadores corintianos, tornou-se também sócio do Palestra Itália e onde antes havia proximidade entre as duas instituições passou a ter um grande antagonismo.

Ao se enfrentarem pela primeira vez, a pugna entre Corinthians e Palestra Itália foi um verdadeiro acontecimento na cidade. O esperado encontro realizou-se após cinco anos da cisão entre as principais Ligas que resolveram unificar-se. A relação entre Corinthians e Palestra vinda antes mesmo de se enfrentarem em campo, passou a adquirir enorme atenção atraindo entusiastas de todos os cantos da cidade em direção ao Parque Antarctica, muitos deles não puderam entrar, afinal de contas o campo da Companhia Antarctica Paulista estava lotado.

Futuros eternos rivais jogavam por Ligas diferentes e só após a cisão de ambas, o Derby enfim, pôde acontecer. O Palestra derrotou o Corinthians e o antagonismo entre ambas equipes demonstrou a todos um fato inevitável: a rivalidade entre Corinthians e Palestra sempre existirá para o bem do futebol.

O Palestra Itália venceu o primeiro Derby Paulista em 1917 no Pq. Antartica quando ainda não era o legítimo proprietário do estádio e somente venceu novamente no Pq. Antartica depois de 4 anos já como proprietário em 4 de setembro de 1921 pelo placar de 3×1.  O Palestra Itália/Palmeiras tornou-se legítimo proprietário do Pq. Antartica no dia 27/04/1920. O primeiro Derby na “casa” oficial do Palestra foi disputado em 05/09/1920 e foi vencido pelo Corinthians por 2×1.

Quando a 2ª Grande Guerra entre as nações tentou destruir o Palestra (que tinha Itália em seu nome) a xenofobia advinda de tempos cruéis criou no nome uma ameaça. Os “italianinhos” 28 anos depois tornou-se homônimo de um extinto clube alvinegro, esse sim, de cordiais relações com o time alviverde e quando o ex-Palestra entrou em campo como S.E. Palmeiras o Timão desta vez venceu o eterno rival no que foi o primeiro Derby Paulista com o adversário usando seu novo nome.

Aliás, o ano de 1942 também ficou marcado pela freguesia alviverde frente ao Corinthians. Neste ano tão simbólico da história alviverde (“Arrancada Heroica”), o alvinegro do Parque São Jorge manteve-se invicto frente ao rival do Parque Antarctica. O Palmeiras não venceu nenhum Derby Paulista perdendo cinco partidas sendo goleado em três (duas por 4×1 e uma por 4×2).

Oberdan Cattani não consegue defender o pênalti cobrado por Milani no primeiro Derby Paulista da história do Palmeiras (ex-Palestra Itália/Palestra de São Paulo). O Corinthians venceu de virada no estádio do Pacaembu após Lima do Palmeiras abrir o placar aos 5′. Hércules empatou aos 13′, Milani virou o placar aos 23′ e Begliomini faz gol contra aos 28′.

O Corinthians encerrou a existência do Palestra goleando o rival por 4×2 e no primeiro Derby com o novo nome, nova vitória corintiana, agora por 3×1. Com este resultado, o Corinthians impediu que o arquirrival alviverde fosse campeão invicto, no que foi o primeiro Derby Paulista na história do rival sendo chamado de Palmeiras.

Interessante salientar que o primeiro gol da história do Palmeiras foi de um corintiano, assim como, o primeiro gol do Palestra Itália também havia sido.

O primeiro gol do Corinthians foi marcado pelo italiano Luigi Salvatore Fabbi.

Foi na Pauliceia dos imigrantes italianos que se fundou primeiro o Corinthians, depois o Palestra Itália/Palmeiras.

O Corinthians popularizou-se entre diversas etnias, com espanhóis (Matheus e Sanches), libaneses (Helu), sírios (Dualib).

A sede do Corinthians às margens do Rio Tietê pertencia ao E.C. Sírio e foi comprada pelo italiano Ernesto Cassano. O alemão Alfredo Schürig adquiriu a Fazendinha e deu nome ao segundo estádio.

O primeiro estádio (Ponte Grande), foi construído com maioria italiana e o time convidado para a inauguração que aconteceu no dia 17 de março de 1918 foi o “time dos italianos” o Palestra Itália e o Derby Paulista terminou em 3 à 3.

Desde a fundação o Corinthians teve fortes ligações com famílias italianas (Battaglia – 1º presidente por 15 dias (mudou-se para Piracicaba), Giacominelli – Assumiu a presidência em 1910 e deixou o posto em 1914, Magnani – 2º presidente). As origens proletariadas do Corinthians contribuiu para a popularização entre as diversas etnias.

A ligação itálica sempre existiu no Corinthians e perdura até hoje, assim como seu maior rival. Ambos formados por negros italianos, brancos africanos, homenzinhos verdes e pretos-velhos.

 

E como no “Sonho do Cipião Africano”, ambos são formados por diferentes povos e costumes com vidas cheias de dificuldades e não importando o momento, quando veem Corinthians e Palmeiras duelarem são incitados à coragem e à perseverança.

Onde está a vitória?…

Unimo-nos, amemo-nos

A união e o amor

Revelam aos povos

Os caminhos do senhor.

VAI CORINTHIANS!!!

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